quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

PEDAÇO

Como faz tempo! Como faz... estrelas no céu! Quanto tempo faz que não olho para o céu e me ponho a ver estrelas? Faz tempo que não, hoje, não sei... Era domingo mais para noite do que para segunda de manhã e sol forte. "Olha! Olha aquela estrela ali. Como está brilhante!", disse-me, debruçada na janela.

Era diferente e novo, tive que me aproximar a curtos passos, tateando o espaço que já não era meu e continuava me pertencendo. Lembrei das vezes que ganhei gripes e estas viraram pneumonias, só porque eu ficava na varanda do velho apartamento, deitada no chão frio, olhando o dia ganhar tons cada vez mais escuros e pontinhos cada vez mais reluzentes.

A mesma mãe que tanto se desesperou com minhas febres me convidava para acordar e ver o tempo presente. "Olha aquela, filha! Agora a pouco, aquelas dali formavam um terço...". Vento da noite, cortando minha boca entreaberta, o pescoço nu em busca do ponto mais alto. Depois de meses anestesiada, olhei para o céu, pelo simples ato de me perder e acreditar que posso ver a forma arredondada do planeta.

Eu era a terra vivendo a descoberta (novamente). O ensinamento vinha do ventre que um dia arranhei com força para de lá não sair. Amava imensamente a mulher que eu não cansava de chamar de mãe, que não cansava de me abraçar e de me dizer palavras bonitas...  Acho que recuperei meu pedaço de céu.

Um comentário:

Maxmilla Barroso disse...

Imagino quando vc se torne mae e nao se canse de chamar ela de filha.