domingo, 7 de junho de 2009

O SILÊNCIO DAS ALMAS ESQUECIDAS

18h. E a imagem de Cristo agonizava, deitada, o artificial sangue talhado cobrindo a face, os braços, o peito despido. Colunas de ouro embaçado, carcomidas por vorazes cupins.
Fazia silêncio, caminhei pela igreja vazia e um ar vago tomava conta do local. Um resto de dia lançava reflexos esbranquiçados nas janelas. Com dificuldade, enxergava uma mancha em forma de arco no chão. Tateei cada passo, pois minhas pupilas dilatadas não me revelavam o caminho a seguir. A intuição colocou diante de mim um portal. Era minha saída e hesitei por alguns instantes. Eu via um salão que me surgiu imenso, parecia que centenas de almas abandonadas sairiam dali, rogando Ave-Marias e flutuando pelos altares.
Olhei o teto e vi um anjo azul - ou seria o manto de uma santa?, vi celestial figura reluzindo na escuridão. As vozes curiosas já não me diziam nada, partes do altar e do chão apareciam em flashes, trazidas pela luz artificial. Fazia frio, eu tinha frio. Gostava do silêncio que pairava singelo. Silêncio de todas as almas esquecidas. Disse-lhes AMÉM...

2 comentários:

kassianobre disse...

"Fazia silêncio, caminhei pela igreja vazia e um ar vago tomava conta do local. Um resto de dia lançava reflexos esbranquiçados nas janelas. Com dificuldade, enxergava uma mancha em forma de arco no chão. Tateei cada passo, pois minhas pupilas dilatadas não me revelavam o caminho a seguir".

Lembrei de um monte de coisa..lembrei de filmes, de leituras e me imaginei na cena com medo...massa a sensação, viagem danada!

bjos

Anônimo disse...

O cenário parece o da igreja de Marechal Deodoro, tem uns contornos legais.
Bom seria que pudéssemos ver as almas esquecidas e dar nome a cada uma delas, para que fossem lembradas sempre.
mesmo sentindo uns arrepios.

Estou sempre lendo os seus textos, são bons e poéticos.

Abraços