sexta-feira, 5 de setembro de 2008

NOITE

À noite, tenho recuperado fragmentos. Confundo tecidos com insetos, misturo o som da água ao da televisão. Toquei a capa de um velho livro, removi detalhes incômodos de minha moldura, espalhei a preguiça por toda a pele. No meio de tudo isso, um pouco de escuridão e lembranças.
(...)
Os dias são escassos, mas percorrem um tempo indefinido. Desenham formas infinitas no vazio e, na amplitude dessa noite, prefiro pensar nos espaços sem lei, nas saudades sem regras, nas palavras indiscretas que vivem em mim.
(...)
Diria até que minhas sensações andam meio fluidas, tão fluidas que já não posso comprimi-las nas mãos. Ai, esta doce mania protetora, fazer com que as palmas em concha e os dedos entrelaçados calem o frágil sentimento. Será que apenas estão o acalentando?
(...)
Ali, torna-se úmido e pálido...
(...)
Queria eu poder, enfim, nunca mais guardar o amor nas mãos...

Um comentário:

kassianobre disse...

"Prefiro pensar nos espaços sem lei, nas saudades sem regras, nas palavras indiscretas que vivem em mim"

Sabia que seus textos fazem parte da minha inspiração? Estou sempre por aqui...

ps: quero ver o texto sobre o ponto..

bju