quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

DESEJO

Solitária como a manhã, estava ao lado da porta.

“Agora me sinto mais próxima”.

Eram doses pequenas de palavras, lembranças, sorrisos.

“Ontem, ele sorriu, ouvi bem distante”.

Aquele tempo era novo, tinha um pouco de sabor.

“Era doce?”

Tinha certeza de que deveria dormir mais cedo.

“Por que esqueci os sonhos?”

Na pele, um vestido cor de rubi.

“Faz calor”.

Na pele, água tirando o suor. Na pele, vontade de tatuar... Na pele, na pele...

DESEJO

Ainda era pensamento.

Atrasou o relógio.

“Eu vou voltar”.

Mais cinco, vinte, cinqüenta.

“Não adianta atrasar o tempo”.

Minutos que carregam segundos nos braços.

“Eu vou voltar a ser”.

Ainda tremia, a alma era de menina. Na boca, um segredo. Sufoca a saudade nas mãos. Ela está a ponto de dizer.

“Não posso!”

Mesmo sem existir ou conhecer.

“Está prestes a chegar, eu o sinto!”

Mesmo sem agüentar a solidão...

“Eu vou voltar, espere. Ainda é cedo, não perdi nada...”

Fechou a porta e saiu.

Um comentário:

kassianobre disse...

Ainda tremia, a alma era de menina. Na boca, um segredo. Sufoca a saudade nas mãos. Ela está a ponto de dizer.


É a Paulinha!

Estou sempre por aqui..
bju