quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

PORQUE

Porque as paredes não são nada mais que barreiras. Concreto, tijolos, impermeabilizando os sonhos, a fome saciada, o suor dissolvido na água, o dia em palavras. Separando os cômodos, abrigo para os ouvidos, para as mãos quando o piso não é o bastante, para os olhos inertes, não há horizontes. Interruptores e tomadas, murais, fotografias, quadros, cores que adornam os limites do comodismo, preguiça e tranqüilidade, aconchego. Porque minhas paredes são costelas expostas. Porque elas também são uma resposta...

E tudo serve como inspiração para desprender da mente as impressões acerca daquilo que todos vêem como um detalhe, apenas objetos, cuja funcionalidade supera o sentido. Não há sentido para tantos questionamentos, por isso as respostas.

Porque tudo está tão fora do eixo. Uma resposta com ares de pergunta... Das paredes emana um silêncio tão próprio à existência, enquanto existir resiste a calar. Todas estas paredes segregando as diferentes sensações, removem um pouco da amplitude visível do espaço, onde os pensamentos transitam livremente, embora não passem de condições físicas de delimitação.

Porque no concreto também restam dúvidas, porque a falta de sentimentos leva à iminência do fim, porque dizer aquilo que não cabe mais é uma forma de fruição, porque hoje pode ser qualquer coisa, desde insignificante até lembrança, porque os porquês influenciam tanto quanto as conseqüências, que são esquecidas sempre que surge uma nova razão.

2 comentários:

Estêvão dos Anjos disse...

Lembrou duas coisas...

Clarice e uma música do Cordel em que ele ve tudo transformado em amor...

no seu caso a duvida, as incertezas das coisas se refletem em pquenas coisas

um texto sensivel estilo clarice e belo eslito Paulinha

absurdo disse...

um texto silenciosamente perturbador, ofegante, sensível...


as vzs me pergunto o
pq de tantos pqs se ele em sí jah eh uma resposta...


bjazz!